Vivo em Lisboa durante o ano inteiro, por opção, porque gosto, porque tenho família que construi e amigos!
Quando entramos em Dezembro tudo muda. Do outro lado do oceano tenho os restantes familiares. Como madeirense que sou, a minha ilha entra em erupção dentro de mim e é como se eu não tivesse saído nunca. Comigo trouxe todas as nossas tradições, pois para mim Natal é o mês todo!
Os preparativos desde a casa, as ornamentações, os licores, os bolos de mel, broas, a carne de vinho e alhos, a carne assada da minha mãe, os chutney, a genebra, o peru (ou o galo do campo)😅, toda a casa se transforma em função do Natal.
Falta-me a agitação natalícia que se vive nesta altura na Madeira, e especialmente, a noite do mercado, uma tradição muito nossa que só os madeirenses sabem do que falo!
Perguntaram-me há dias porque gosto tanto de barcos e do mar.
Eu explico, nasci numa Ilha (Madeira) sou neta, filha e mãe de homens cujas profissões estavam e estão ligadas aos navios e ao mar.. Estou permanentemente em busca de lugares onde eu possa contemplar essa maravilha. Se um dia me quiserem encontrar 😂procurem uma rocha com o mar batendo forte, algures na Praia Formosa ou noutro sítio parecido, sentada nos calhaus, com um ar super feliz, contemplando o horizonte atirando pedrinhas ao mar.......Nostalgia!
segunda-feira, 6 de novembro de 2023
Os meus pais!
As recordações que tenho dos meus pais são tantas, que não sei por onde começar....Tinham .personalidades diferentes, mas uma coisa tinham em comum, o amor pelos filhos e pela família. A minha mãe a 4a filha de uma família numerosa, foi educada com valores onde a instrução e a educação tinham o papel principal. Era muito bonita com uns lindos olhos verdes. Das filhas da minha avó era a única, que tinha olhos claros. Desde muito cedo começou a trabalhar juntamente com as duas irmãs uma mais nova e a outra um ano mais velha, numa Empresa de Bordados da Madeira, onde a minha avó era responsável do departamento, o que lhe permitiu ter as filhas a trabalhar com ela depois de terminarem as aulas. Estávamos a atravessar a 2a guerra Mundial, e os tempos eram muito difíceis.
Mais tarde, lembro-me de ouvir a minha mãe falar da falta de bens essenciais, racionamentos, tudo o que possamos imaginar em tempos de guerra.
Na Ilha onde eu nasci, desde muito cedo, as meninas aprendiam a bordar, eu não fugi à regra. Uma das memórias que tenho, é de nos sentarmos depois do almoço no terraço ou na salinha mais pequena a bordar, com a minha mãe, a avó e a minha tia. A minha avó bordava vilões, viloas ou borboletas num dos cantos dos lenços. A minha mãe, uma toalha com linha branca DMC . Para a minha tia era um sacrifício bordar, sempre que surgia uma oportunidade saía, ora para costurar o que ela preferia ou preparar um chá de funcho que todas nós gostávamos.
O meu pai, era um homem magro, alto com uns lindos olhos azuis que mais pareciam os olhos das bonecas de porcelana. Os filhos, eu, e os meus irmãos herdámos dos meus pais a mesma cor de olhos.
Profissionalmente estava ligado a navios. Trabalhava numa empresa inglesa de navegação, daí a sua grande ligação ao mar. Aos fins de semana Costumava levar-nos para o largo numa das canoas para nos ensinar a nadar fora de pé. De vez em quando ia ás Desertas com amigos, passar o fim de semana, no iate de um deles.
Outra das memórias que tenho do meu pai, era os grandes passeios que dávamos a pé. Todas as noites depois do jantar saiamos de casa andando e conversando até ao cais para ver os navios e o mar! No regresso a casa, passávamos pela padaria da Mariazinha para comprar pão acabadinho de sair do forno. Chegando a casa com o pão ainda quente, barrado de manteiga ou doce, acompanhado de um chá de ervas quase sempre preparado pelo meu pai, fazia as nossas delícias antes de irmos para a cama.
Muitas das vezes adormecia-mos a ouvir o meu pai contar à minha mãe como tinha sido o seu dia a bordo de um navio que tinha chegado à Madeira com os porões cheios de mercadoria e o quão tinha sido difícil arranjar pessoal para descarregar. As relações entre o Comandante o Imediato e o meu pai por vezes não seriam tão cordeais como seria de esperar, o que incomodava muito o meu pai que prezava a amizade deles. Mas, o trabalho acabava por ser feito para o bem de todos!
segunda-feira, 2 de outubro de 2023
Verão/Outono
Estamos no último dia de Setembro, mas as temperaturas são de Verão. Quem gosta de calor dirá que não gosto do verão gosto muito, mas a verdade é que eu já tenho saudades daqueles dias de Outono, daquele friozinho que vai chegando devagarinho, as folhas caindo, em que já apetece vestir algo mais confortável e é sobretudo nestes dias, que eu gosto de dar longos passeios ao final da tarde apreciando a natureza, indo até à praia passeando descalça à beira mar, ou ficar sentada na areia, vendo as ondas não muito altas vindo até à praia. Lá mais distante apreciar as gaivotas sobrevoando e mergulhando de vez em quando, na tentativa de apanhar algo para comer. Lá ao longe na linha do horizonte, um navio segue a sua rota é ainda bem visível ,talvez um navio de passageiros.... será?... não dá para ver bem!
Continuando na minha nostalgia, na esperança que o outono chegue depressa, aproveito este tempo para fazer arrumações, guardando algumas roupas que eu já não irei usar e, aproveitar para organizar o roupeiro. É também no outono, que eu começo a pensar em compotas; de laranja, tomate ,abóbora e outras frutas, como por exemplo as amoras que fazem um doce muito bom, que eu aprecio muito!
Passou bastante tempo desde a ultima vez que passei por aqui!
Estou de regresso, com novas ideias, experiências, e com uma enorme vontade de escrever!
Durante este período em que tanta coisa aconteceu, li muito, fotografei, viajei, ouvi música e iniciei um novo hobby!
Sem qualquer formação académica, mas com uma enorme vontade de experimentar, agarrei-me a um sonho há muito guardado e que de repente desabrochou, pintar aguarelas! Desde comprar tintas, pinceis, papel adequado, foi uma correria até ter o essencial para começar. Tenho pesquisado muito, mas há um ano atrás senti necessidade de me inscrever num workshop sobre" pintura em aguarela e pigmentação" no Museu de Arte Contemporânea onde aprendi muito e adorei!
Recentemente a convite de uma amiga que é pintora, sabendo do meu desejo em expandir os meus conhecimentos, iniciei as aulas de pintura a óleo. É uma técnica diferente, mas um novo desafio que eu estou a gostar bastante! Aos poucos irei publicando algumas das minhas experiencias! Até já!