Os meus pais!
As recordações que tenho dos meus pais são tantas, que não sei por onde começar....Tinham .personalidades diferentes, mas uma coisa tinham em comum, o amor pelos filhos e pela família. A minha mãe a 4a filha de uma família numerosa, foi educada com valores onde a instrução e a educação tinham o papel principal. Era muito bonita com uns lindos olhos verdes. Das filhas da minha avó era a única, que tinha olhos claros. Desde muito cedo começou a trabalhar juntamente com as duas irmãs uma mais nova e a outra um ano mais velha, numa Empresa de Bordados da Madeira, onde a minha avó era responsável do departamento, o que lhe permitiu ter as filhas a trabalhar com ela depois de terminarem as aulas. Estávamos a atravessar a 2a guerra Mundial, e os tempos eram muito difíceis.
Mais tarde, lembro-me de ouvir a minha mãe falar da falta de bens essenciais, racionamentos, tudo o que possamos imaginar em tempos de guerra.
Na Ilha onde eu nasci, desde muito cedo, as meninas aprendiam a bordar, eu não fugi à regra. Uma das memórias que tenho, é de nos sentarmos depois do almoço no terraço ou na salinha mais pequena a bordar, com a minha mãe, a avó e a minha tia. A minha avó bordava vilões, viloas ou borboletas num dos cantos dos lenços. A minha mãe, uma toalha com linha branca DMC . Para a minha tia era um sacrifício bordar, sempre que surgia uma oportunidade saía, ora para costurar o que ela preferia ou preparar um chá de funcho que todas nós gostávamos.
O meu pai, era um homem magro, alto com uns lindos olhos azuis que mais pareciam os olhos das bonecas de porcelana. Os filhos, eu, e os meus irmãos herdámos dos meus pais a mesma cor de olhos.
Profissionalmente estava ligado a navios. Trabalhava numa empresa inglesa de navegação, daí a sua grande ligação ao mar. Aos fins de semana Costumava levar-nos para o largo numa das canoas para nos ensinar a nadar fora de pé. De vez em quando ia ás Desertas com amigos, passar o fim de semana, no iate de um deles.
Outra das memórias que tenho do meu pai, era os grandes passeios que dávamos a pé. Todas as noites depois do jantar saiamos de casa andando e conversando até ao cais para ver os navios e o mar! No regresso a casa, passávamos pela padaria da Mariazinha para comprar pão acabadinho de sair do forno. Chegando a casa com o pão ainda quente, barrado de manteiga ou doce, acompanhado de um chá de ervas quase sempre preparado pelo meu pai, fazia as nossas delícias antes de irmos para a cama.
Muitas das vezes adormecia-mos a ouvir o meu pai contar à minha mãe como tinha sido o seu dia a bordo de um navio que tinha chegado à Madeira com os porões cheios de mercadoria e o quão tinha sido difícil arranjar pessoal para descarregar. As relações entre o Comandante o Imediato e o meu pai por vezes não seriam tão cordeais como seria de esperar, o que incomodava muito o meu pai que prezava a amizade deles. Mas, o trabalho acabava por ser feito para o bem de todos!