segunda-feira, 6 de novembro de 2023

 Os meus pais!

 As recordações que tenho dos meus pais são tantas, que não sei por onde começar....Tinham .personalidades diferentes, mas uma coisa tinham em comum, o amor pelos filhos e pela família. A minha mãe a 4a filha de uma família numerosa, foi educada com valores onde a instrução e a educação tinham o  papel principal. Era muito bonita com uns lindos olhos verdes. Das filhas da minha avó era a única, que tinha olhos claros. Desde muito cedo começou a  trabalhar juntamente com as duas irmãs uma mais  nova  e a outra um ano mais velha, numa Empresa de Bordados da Madeira, onde a minha avó era responsável do departamento, o que lhe permitiu  ter as filhas a trabalhar com ela  depois de terminarem as aulas.   Estávamos a atravessar a 2a guerra Mundial, e os tempos eram muito difíceis. 

Mais tarde, lembro-me de ouvir a minha mãe falar da falta de bens essenciais, racionamentos, tudo o que possamos imaginar em tempos de guerra. 

Na Ilha onde eu nasci, desde muito cedo, as meninas aprendiam a bordar, eu  não fugi à regra. Uma das memórias que tenho, é de nos sentarmos depois do almoço no terraço ou na salinha mais pequena a bordar, com a minha mãe, a avó e a minha tia. A minha avó bordava vilões, viloas ou borboletas num dos cantos dos  lenços. A minha mãe, uma toalha com  linha branca DMC . Para a minha tia era um sacrifício bordar, sempre que surgia uma oportunidade saía, ora para costurar o que ela preferia ou preparar um chá de funcho que todas nós gostávamos.

O meu pai, era um homem magro, alto com  uns lindos olhos azuis que mais pareciam os olhos das bonecas de porcelana. Os filhos, eu, e  os meus irmãos herdámos dos meus pais a mesma cor de olhos.

 Profissionalmente estava ligado a navios. Trabalhava numa empresa inglesa de navegação, daí a sua grande ligação ao mar. Aos fins de semana Costumava  levar-nos para o largo numa das canoas para nos ensinar a nadar fora de pé. De vez em quando ia ás Desertas com amigos, passar o fim de semana, no  iate de um deles. 

Outra das memórias que tenho do meu pai, era os grandes passeios que dávamos a pé. Todas as  noites depois do jantar saiamos de casa andando e conversando até ao cais para ver os navios e o mar! No regresso a casa, passávamos pela padaria da Mariazinha para comprar pão acabadinho de sair do forno. Chegando  a casa  com o pão ainda quente, barrado de manteiga ou doce, acompanhado  de um chá de ervas quase sempre preparado pelo meu pai, fazia as nossas delícias antes de irmos para a cama.

Muitas das vezes adormecia-mos a ouvir o meu pai contar à minha mãe como tinha sido o seu dia a bordo de um navio que tinha chegado à Madeira com os porões cheios de mercadoria e o quão tinha sido difícil arranjar pessoal para descarregar. As relações entre o Comandante o Imediato e o meu pai por vezes não seriam tão cordeais como seria de esperar, o que incomodava muito o meu pai que prezava a amizade deles. Mas, o trabalho acabava por ser feito para o bem de todos!