sábado, 30 de junho de 2012


.Está um lindo dia de Primavera. Lá fora nas árvores ouço o chilrear dos passarinhos. Está Sol apetece estar no terraço, deitada na rede a ler um livro, a ouvir musica baixinho ou simplesmente a olhar o céu, perdida no tempo a meditar! Tenho saudades de tantas coisas, de tantas vivências; de quando os filhos eram pequenos, das férias na Vide com a família toda junta, a casa cheia.
Saudades das férias no Algarve com a família, amigos, dos passeios etc… Muitas saudades das férias na Madeira. A Matur deixou grandes recordações como foi possível terem destruído aquele aldeamento tão lindo.

terça-feira, 22 de maio de 2012


Desde criança que gosto de ler.
Penso que fui influenciada pela minha avó materna.
Aos domingos ia encontrá-la sentada no seu quarto perto da janela com os óculos na ponta do nariz como era seu hábito. E eu perguntava o estava a lêr, ao qual ela respondia: ‘’um livro que o teu tio António me mandou e que fala da maneira como as pessoas da Beira vivem. Gente simpática de bons costumes e que são fartos’’. Falava da matança do porco e da maneira como elas salgavam a carne para durante o ano terem o que comer. E eu ia ouvindo as histórias e ao mesmo tempo ia crescendo em mim uma vontade enorme de aprender a ler e escrever. Mais tarde, quando já dominava bem a leitura e a escrita pedia à minha avó livros emprestados e devorava-os num instante.
Gostava de me isolar em cima do telhado onde só eu tinha acesso. Aí ia colocando num caderno tudo o que via. O Arsenal em frente à nossa casa era uma atracção. O mar imenso na minha frente era um fascínio os navios em construção as velas a esvoaçar ao vento a azáfama no estaleiro. Imaginava-me a navegar por aquele mar imenso, tão azul como é o da minha querida Ilha. E sonhava…
Depois das aulas no Convento de Santa Clara, passava pelo escritório do meu pai e íamos juntos para casa que ficava no outro lado da cidade, na parte velha, que eu tanto gosto. Muitas vezes visitei navios em trânsito no Funchal, onde o meu pai tinha alguns amigos. Almoçávamos muitas vezes a bordo a convite ora do comandante, ora dum amigo que nos preparava belas iguarias.
Fui continuando a ler livros sobre expedições, biografias, e romances. Estou a recordar alguns dos escritores que li muito e ainda leio. Somerset Maugham, Ernest Hemingway, Irving Wallace, Isabel Allende, Pearl Buck, Carlos Ruiz Zàfon, Jorge Amado, Lobo Antunes, Fernando Pessoa, José Luís Peixoto entre outros…
Tive um amigo que também me ajudou muito nas escolhas. Sempre que comprava um livro passava em frente ao meu trabalho abrandava o carro, buzinava para eu olhar e de longe perguntava-me? Já leste este? E eu dizia, emprestas-me? Ao qual ele respondia queres lêr, compra. E aos poucos fui comprando, lendo e trocando opiniões com esse meu amigo. É maravilhoso o que se aprende quando se lê!

domingo, 25 de março de 2012


Às vezes dou comigo a pensar onde é que vou buscar tanta energia e lucidez para andar para a frente.
Não é fácil.
Sou uma pessoa crente e sempre que me vou abaixo apelo a Deus para que me ajude. Até agora Ele nunca me abandonou.
Há alguns anos conheci um senhor, que me deu uma grande lição de vida.
Este senhor que veio mais tarde a ser meu cunhado ficou paralisado aos 20 e poucos anos. Era engenheiro e trabalhava na barragem de Castelo de Bode. Deslocava-se de moto seu meio de transporte favorito quando teve um acidente que o deixou paralisado da cintura para baixo. Calculo como tenha sido difícil saber que nunca mais voltaria a fazer o que ele mais gostava, andar!
Das longas conversas que tivemos ele demonstrou sempre um certo optimismo no meio do seu infortúnio.
Em vez de se entregar ao desespero, fez das fraquezas forças. Dos I.C., ele tinha o apoio no que respeita à higiene, alimentação etc…o pai era a sua companhia, mas isto não bastava. Fez-se rádio amador para poder estar em contacto com o Mundo exterior. Dentro do quarto, ele rodeou-se de vida, tinha um aquário várias gaiolas com passarinhos, e plantas. Ao longo das paredes havia estantes com muitos livros, várias cassetes e C.D. com músicas, Com uma cana de pesca ele conseguia tirar das prateleiras tudo o que precisava. Com uma engenhoca construída por ele, quando já não podia andar conseguia abrir a porta da rua, aquecer o almoço no micro-ondas quando por momentos ficava sozinho. E das pessoas que ao I.C. enviava um dia coube a vez da minha irmã que também era funcionária daquela Instituição ir dar-lhe apoio. Se ele precisava de companhia a minha irmã na altura numa situação difícil apoiou-se a ele de tal maneira que acabaram casando. Nós fomos os padrinhos de casamento com muita honra. Ele deu à minha irmã um tecto, muito carinho e ela, uma devoção até ao fim dos seus dias.
Quando lhe telefonava para saber como estava ele, perguntava-me por vezes o que se passa contigo minha querida? Não estás bem? Não era preciso eu dizer nada ele conhecia na minha voz quando eu não estava bem! Ficávamos longas horas a falar…. Chorava desesperada por vezes, mas, quando terminava-mos as nossas conversas sentia um alívio e desligava o telefone com uma esperança e animo para lidar com os problemas do dia-a-dia. E espantoso era ele, que me ajudava nas horas mais difíceis. Os problemas de saúde do M. internamentos, os problemas por vezes menos bons no emprego, as preocupações com os filhos e o nascimento atribulado com os problemas de saúde do G. Em todos os momentos este grande homem esteve presente dando-me força. Ao fim de 40 anos de invalidez, ele morreu deixando um grande vazio. Apesar de já não estar mais aqui, quando penso nele, sinto a sua força. É nele que eu penso sempre que estou triste!
Acredito que onde quer que esteja ele pede a Deus por mim!

domingo, 11 de março de 2012


É verdade! Há muito tempo que não escrevo nada...
Tive necessidade de me afastar, foram tempos difíceis para mim. Parei! Parei com várias coisas que tinha entre mãos.
Depois de muito refletir cheguei à conclusão que “naquele autocarro não havia lugar para mim”. Não era ainda a minha vez de ir (palavras duma amiga minha).Tinha de continuar e acabar o que ficou por fazer. É com este espirito que vou continuar para a frente até Deus querer! Tenho a ajuda dos meus filhos queridos, e restante família. Sinto-me tranquila porque tudo se vai encaixando.
A reviravolta deu-se quando fui a Barcelona. Foi a partir daí, na companhia do meu irmão e sobrinho que acordei do pesadelo em que tinha mergulhado.
Barcelona, linda cidade que adorei cada momento. Andei até não poder mais. Ri como não ria há muito tempo e divertimo-nos imenso.
Estou a escrever e é a 3ª vez que ouço My Way  na voz de Robert Williams. Lindo! Nem de propósito, nada foi programado, mas a canção fala que tenho de seguir o meu caminho.
Gostava de voltar a Barcelona.
Regressámos a Lisboa para dois dias depois seguirmos para a Madeira. Uma estadia de 15 dias que acabou por durar quase dois meses. Regressei a 24 de Dezembro de manhã. Deixei na minha Ilha o nosso encontro, as recordações e as nossas vivências. Muitas, muitas recordações dum passado recente.