terça-feira, 22 de maio de 2012


Desde criança que gosto de ler.
Penso que fui influenciada pela minha avó materna.
Aos domingos ia encontrá-la sentada no seu quarto perto da janela com os óculos na ponta do nariz como era seu hábito. E eu perguntava o estava a lêr, ao qual ela respondia: ‘’um livro que o teu tio António me mandou e que fala da maneira como as pessoas da Beira vivem. Gente simpática de bons costumes e que são fartos’’. Falava da matança do porco e da maneira como elas salgavam a carne para durante o ano terem o que comer. E eu ia ouvindo as histórias e ao mesmo tempo ia crescendo em mim uma vontade enorme de aprender a ler e escrever. Mais tarde, quando já dominava bem a leitura e a escrita pedia à minha avó livros emprestados e devorava-os num instante.
Gostava de me isolar em cima do telhado onde só eu tinha acesso. Aí ia colocando num caderno tudo o que via. O Arsenal em frente à nossa casa era uma atracção. O mar imenso na minha frente era um fascínio os navios em construção as velas a esvoaçar ao vento a azáfama no estaleiro. Imaginava-me a navegar por aquele mar imenso, tão azul como é o da minha querida Ilha. E sonhava…
Depois das aulas no Convento de Santa Clara, passava pelo escritório do meu pai e íamos juntos para casa que ficava no outro lado da cidade, na parte velha, que eu tanto gosto. Muitas vezes visitei navios em trânsito no Funchal, onde o meu pai tinha alguns amigos. Almoçávamos muitas vezes a bordo a convite ora do comandante, ora dum amigo que nos preparava belas iguarias.
Fui continuando a ler livros sobre expedições, biografias, e romances. Estou a recordar alguns dos escritores que li muito e ainda leio. Somerset Maugham, Ernest Hemingway, Irving Wallace, Isabel Allende, Pearl Buck, Carlos Ruiz Zàfon, Jorge Amado, Lobo Antunes, Fernando Pessoa, José Luís Peixoto entre outros…
Tive um amigo que também me ajudou muito nas escolhas. Sempre que comprava um livro passava em frente ao meu trabalho abrandava o carro, buzinava para eu olhar e de longe perguntava-me? Já leste este? E eu dizia, emprestas-me? Ao qual ele respondia queres lêr, compra. E aos poucos fui comprando, lendo e trocando opiniões com esse meu amigo. É maravilhoso o que se aprende quando se lê!

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